Programa incentiva descarte correto e consumo consciente de tintas e embalagens
Apesar da importância, o descarte correto de determinados materiais pode ser muito difícil. É o caso das sobras de tintas e suas respectivas embalagens: latas de aço e baldes plásticos. Para amenizar esse problema, e em resposta à Política Nacional de Resíduos Sólidos, o programa Retorna Tintas busca engajar lojistas e consumidores na destinação adequada de tais resíduos.
O Retorna Tintas foi desenvolvido em 2024 pela Abrafati (Associação Brasileira dos Fabricantes de Tintas), que representa a indústria de tintas no Brasil. O programa começou como piloto no Nordeste e vem sendo expandido para outras regiões.
A operação do programa é conduzida pela Gasa Eco Ambiente, responsável pela expansão, coleta e reciclagem dos resíduos.
Por que não descartar sobras de tintas no lixo comum?
Descartar sobras de tintas no lixo comum, ralos ou solo pode causar contaminação grave do solo e da água devido a metais pesados e químicos tóxicos. Há ainda riscos à saúde: a ação pode liberar COVs (Compostos Orgânicos Voláteis), que contribuem para poluição do ar, gerando problemas respiratórios. É por isso que procurar por locais que recebam e deem a destinação correta ao material é tão importante.
Conscientização
O Retorna Tintas é um programa de logística reversa também voltado à conscientização do consumidor. Exemplo disso é que busca orientar a sociedade sobre como evitar desperdícios. Uma das principais recomendações do programa é planejar adequadamente a quantidade de tinta a ser comprada. Segundo o presidente-executivo da Abrafati, Luiz Cornacchioni, o cálculo correto evita desperdícios e reduz o volume de resíduos.
“É importante medir a área a ser pintada e verificar o rendimento informado na embalagem para definir a quantidade necessária. O setor de tintas vem trabalhando para orientar os consumidores a evitar sobra e desperdício, adotando práticas de consumo consciente”, explica.
As informações sobre rendimento geralmente estão disponíveis nas próprias embalagens, nos sites dos fabricantes ou no atendimento das lojas especializadas.
O que fazer quando sobra tinta?
Mesmo com planejamento, sobras podem acontecer. Nesses casos, o programa orienta que a tinta seja utilizada o mais rápido possível ou doada.
Uma alternativa recomendada é encaminhar o material para instituições sociais, como escolas, creches, associações de bairro ou igrejas, que frequentemente utilizam tintas em pequenas reformas e manutenção de espaços. A recomendação de rapidez tem um motivo técnico: depois de aberta, a tinta pode perder gradualmente suas propriedades quando exposta ao ar, à umidade ou a temperaturas elevadas.
Onde descartar sobras de tinta e embalagens
Quando não há possibilidade de reutilização ou doação, o descarte adequado pode ser feito por meio de Pontos de Entrega Voluntária (PEVs), criados dentro do programa Retorna Tintas. Nesses locais, consumidores podem entregar: sobras de tintas imobiliárias, latas metálicas vazias e baldes plásticos de tinta. Confira abaixo os pontos de coleta:
- Recife (PE)
Home Center Tupan
Av. Mal. Mascarenhas de Morais, 3963, Imbiribeira
CEP: 51150-003 - São Paulo/SP (Zona Leste) – Tintas Geracor
Rua Acuruí, 56 – 58, Vila Formosa
CEP: 03355-000 - São Paulo/SP (Zona Leste) – Tintas Geracor
Rua Aricanduva, 2135, Vila Matilde
CEP: 03527-000 - São Paulo/SP (Zona Oeste)
Pinta Mundi Tintas
Av. Pompéia, 245, Pompéia
CEP: 05023-000
O material recolhido segue para um coprocessamento e destinação ambientalmente adequada.
Além da destinação correta das sobras, o programa também envolve parcerias com iniciativas de reciclagem de embalagens. Entre elas estão:
- Prolata Reciclagem, ligado à Associação Brasileira de Embalagem de Aço, que apoia a reciclagem das latas metálicas;
- Descarta Aí, iniciativa da Associação Brasileira da Indústria do Plástico, voltada ao reaproveitamento de embalagens plásticas.
Esse modelo busca garantir que tanto o conteúdo quanto as embalagens retornem à cadeia produtiva, reduzindo o volume de resíduos enviados para aterros e ampliando a circularidade dos materiais. O modelo produtivo atual é caracterizado por desperdício, com ações consideradas, ainda, poluentes e prejudiciais aos sistemas naturais – a economia circular existe justamente para romper esse ciclo.
Fonte: Ciclo Vivo
- Leia também: Aterro Sanitário britânico vira fonte de alimentos